- 100% das pessoas acham que eu recebo santo.
- 87% das pessoas dizem que são católicos/evangélicos/budistas/ etc , mas morrem de medo de macumba e perguntam o que podem fazer pra evitar ser atingidos. Mas quando a coisa fica preta recorrem ao candomblé e a umbanda.Os adeptos do candomblé acreditam que o mal só atinge quem faz o mal. Então, se você é uma boa pessoa, não precisa ter medo. Mesmo.
- 73% das pessoas me pede conselhos , acham que sou Pai de santo e pendem para ir no terreiro que eu frequento.Por favor, vá com respeito e nem pense em tirar foto. As festas são cultos religiosos, não atrações turísticas.
- 69% das pessoas perguntam “qual o meu orixá?”. Um Orixá é como um anjo da guarda que está sempre perto de você pra te ajudar, não alguém que controla suas ações.
- 55% das pessoas contam que uma cigana/hippie/benzedeira/parteira disse que o orixá dela era Yansã (é impressionante como o povo gosta de Yansã).Procure os búzios primeiro.
- 43% das pessoas pedem o telefone da minha mãe-de-santo porque PRECISAM de uma consulta.Essa é uma das coisas que mais me ofendem, pessoalmente, porque mostram como o Candomblé é visto. Todo mundo é católico, mas, quando o bicho pega, corre todo mundo pro terreiro. Não sou contra isso pelo contrário. O que me desagrada é ver a o Candomblé tratado como uma espécie de sub-religião ou uma tenda dos milagres. Ou uma religião de soluções imediatas. Não percebem que agindo assim, dão margem para os falsos Pais e Mães de Santos.- 30% das pessoas fala das lendas que conhece e pede pra você contar mais.
- 21% das pessoas dizem que eu estou adorando o demônio e que vou arder no fogo do inferno.Felizmente, na minha religião não existe demônio. Nem inferno.
- 15% das pessoas me censuram por sacrificar animais.O sacrifício de animais no candomblé é bem parecido com o que qualquer carnívoro pratica. O bicho é morto, transformado numa comida gostosa e servido nas festas para ser comido por todos os presentes numa espécie de comunhão. Algumas vezes, a comida gostosa tem que ser deixada no mato e qualquer bicho pode comer (se não for comido, o Orixá não aceitou). Para quem tem curiosidade em saber, toda vez que um animal precisa ser sacrificado pra virar comida gostosa, um ogã/equede especial que tem que conversar com ele, explicar seu destino e rezar com ele. Pois é, meu povo, não é assassinato sanguinário de bichinhos, é uma prática religiosa realizada com um extremo respeito.
- 2% das pessoas percebem que é minha religião, não uma curiosidade exótica, e me trata com respeito. (desconheço o autor)
OBSERVAÇÃO
Esse texto traduz uma realidade que acredito que todos filho-de-santo passam ou passaram em algum momento de sua vida no candomblé com pessoas leigas!
É um texto bem humorado, contudo é bem real.

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